COM CERTEZA NÃO TEMOS NADA A DIZER. Nós escrevemos como uma doença que consome nossas mãos, literatura é apenas um vácuo no qual nos perdemos. Suas unhas estão enormes, eu nunca a vi assim, e você arranha todo seu belo rosto de melancolia, porque as palavras percorrem o corpo como formigas. Agonia aguda em em estado de transição para loucura, eis o veredito. Mas você é tão bela e seus sonhos e seu corpo, e nós bebemos até cair essa noite, um nos braços do outro para que os poemas emigrassem pelos nossos poros, era como um desespero e eu Ihe pedi amor e você disse te amo, mas nós ficamos estáticos olhando as estrelas como dois autistas. Não temos nada mais a dizer com certeza a não ser a nós mesmos na língua de nossa doença vendo as camadas de gelo erguidas pelo tempo e islandeses e islandesas tocando flautas nas aquarelas de dezembro. Você me insulta e nosso amor é uma infâmia porque intacto sob a lua e sob as estrelas e sob a noite, mudas, apenas nos ouvindo. 

E novamente o violeta do céu sobre seus olhos fundos e tristes me comove, eu me desfaço em palavras que esvoaçam através de um mundo diáfano nos transformando em suavidade e maciez como se nossos nomes fossem feitos de plumas. Eu mal consigo pisar o solo e você me toca e diz: útero. Nossa doença é impublicável, porque pura, nossas vozes e nosso trigo pertencem a nossa própria casa, nós não precisamos sair para expor nossas chagas. Eu odeio os livros em nossa biblioteca empoeirada, mas sou vulnerável às vogais que são vertigens nas palavras. O mundo não precisa nos ouvir eu disse, nós cantamos as canções inaudíveis atravessando países como vultos, duas sombras ambíguas, apenas seguindo nossa vocação de estar atrás das nuvens. Doentes no inverno, melancolia profunda. E se você dói em si mesma é porque nós sofremos pelo mundo, lá, bem atrás da imensa fila de coreanas e tailandesas, nem mesmo as japonesas nos são indiferentes.

Eles nos amaldiçoariam se nos vissem, mas nós conhecemos os núcleos e os sons mudos. Nosso canto flui sob o solo corroendo a terra sob os pés de todas as raças até que Angria um dia desabe e nós tenhamos a plenitude de nosso amor enfim… Enfim.


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