FOI UM SONHO DE PEIXE. Há poucos que não compreendo. Este foi uma surpresa. Eu e o peixe. O peixe e eu. Mas por que peixe? Mistério. Me encontrava à beira de um mar revolto, sujo, tempestuoso mesmo. A maré subia cinzenta e raivosa. O céu, carrancudo. Tinha a consciência de ter perdido algo, precioso talvez, de ter posto fora o que era bom. A maré subiu, me espremeu entre as ondas e um alto barranco de areia. Aí que ele aparece. Pula das águas até o topo do barranco. Enorme, gordo, de cores vibrantes, o peixe. Me dá uma pena, não sei o que fazer. Um querido amigo, perdido, reencontrado. É, era amor que eu sentia pelo peixe, logo eu, que nem sou lá assim de bicho. No entanto, me invadiu um carinho súbito pela criatura muda, multicor. Só que não sabia o que fazer: água ou ar? E foi assim que fiz: o coloquei num copo – sim era um copo – com um pouco de água dentro e lá ficou ondeando em suas escamas cintilantes. Que carinho senti! Então construí para ele um aquário onde nadava feliz e agradecido. Sorria em cores: retorno que havia. Acho que pra mim. Sim, pra mim. Alguns dias depois retornei ao lugar onde o havia deixado. E surpresa. Na água do aquário ele nadava diminuto, quase insignificante entre milhares de outros peixinhos, uns ainda mais diminutos, outros já um pouco maiores. Peixes dourados, peixes verdes, peixes azuis. Alguns mortos boiavam inchados na superfície. Entenda, é que eram muitos. Eu de novo não sabendo o que fazer. E ainda assim, me senti rico, tão imensamente rico. E, não menos agradecido.


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